OPINIÃO: Gustavinho é peça importante para o Santos de Cuca

(Foto: Raul Baretta/Santos FC)

O Santos tem encontrado em Gustavinho uma peça que combina com a maneira como Cuca pretende fazer a equipe jogar. Mais do que ser uma opção para o meio-campo, o Menino da Vila oferece características que ajudam a dar equilíbrio ao time, principalmente pela intensidade, movimentação e capacidade de participar dos dois lados do campo.

Na minha avaliação, Gustavinho deveria continuar recebendo oportunidades e ser tratado como um jogador importante dentro do planejamento santista. O motivo não está apenas na qualidade individual, mas principalmente no encaixe com o modelo de jogo que o treinador vem tentando desenvolver.

O Santos precisa de um meio-campo que não fique limitado a marcar ou distribuir passes. É necessário ter jogadores capazes de pressionar o adversário, disputar a segunda bola, dar continuidade às jogadas e aparecer como opção para quem está com a posse. Gustavinho reúne características interessantes para cumprir esse papel.

O que Gustavinho oferece ao meio-campo?

Uma das principais qualidades do jovem é a intensidade. Ele consegue participar da marcação, acompanhar a movimentação dos adversários e ajudar na recuperação da bola. Em uma equipe que precisa competir durante os 90 minutos, esse tipo de característica faz diferença.

Mas não é somente na parte defensiva que Gustavinho pode contribuir. Sua movimentação também oferece alternativas na construção das jogadas. Ele consegue se aproximar dos companheiros, participar das trocas de passes e ajudar o Santos a encontrar espaços no campo adversário.

É justamente essa versatilidade que considero importante. O Santos tem jogadores com características mais voltadas à criação, mas precisa de alguém que consiga conectar os setores e oferecer sustentação para que os homens mais ofensivos tenham liberdade.

Quando o meio-campo funciona, os atacantes recebem a bola em melhores condições. Quando a equipe perde a posse, jogadores com intensidade ajudam a diminuir os espaços e dificultar a saída adversária. Gustavinho pode contribuir nas duas situações.

A base precisa ter espaço, mas também responsabilidade

Outro ponto positivo é que Gustavinho representa uma alternativa formada dentro do próprio clube. O Santos tem uma tradição enorme de revelar jogadores, mas não basta promover jovens ao profissional. É necessário encontrar funções em que eles realmente possam contribuir.

O caso de Gustavinho mostra como a utilização da base pode ajudar na montagem do elenco. Em vez de buscar no mercado todas as características necessárias, o clube também pode desenvolver soluções internamente.

Isso não significa que o jogador esteja pronto ou que não precise evoluir. Pelo contrário. Ainda precisa ganhar regularidade, melhorar alguns aspectos do jogo e amadurecer nas decisões. Mas essas etapas fazem parte do desenvolvimento de qualquer atleta jovem.

O mais importante é não perder de vista aquilo que ele já oferece. Em um Santos que busca intensidade e equilíbrio, abrir mão de um jogador com essas características pode significar deixar de aproveitar uma alternativa que se encaixa no funcionamento coletivo.

Cuca precisa aproveitar essa característica

Acredito que Gustavinho pode ser ainda mais importante dependendo da maneira como Cuca organizar o meio-campo. Ao lado de jogadores com maior capacidade de criação, ele pode assumir responsabilidades de movimentação, pressão e recomposição.

O treinador precisa encontrar a melhor combinação para aproveitar suas características sem sobrecarregá-lo. Não adianta cobrar que um jovem resolva todos os problemas do setor, mas também não faz sentido limitar sua participação quando ele demonstra que pode ajudar.

O Santos precisa construir uma equipe equilibrada, e isso passa por jogadores que talvez não sejam os protagonistas das manchetes, mas fazem o funcionamento coletivo acontecer.

Minha opinião é clara: Gustavinho merece sequência e confiança. Não precisa ser tratado como solução definitiva para o meio-campo, mas como uma peça importante para o Santos que Cuca está tentando construir. Seu estilo de jogo combina com as necessidades da equipe, e o clube precisa saber aproveitar esse potencial.