Existe uma discussão que deveria ser cada vez mais importante dentro do Santos: até quando o clube vai precisar revelar um jogador de alto potencial para depois vê-lo sair antes de atingir seu verdadeiro valor?
Gabriel Bontempo é um caso que merece atenção especial.
O meio-campista de 21 anos atravessa um momento de afirmação no time profissional e, principalmente, vem mostrando que pode ser muito mais do que apenas uma promessa das categorias de base. Em 2026, seus números já mostram evolução: são 5 gols e 4 assistências em 38 partidas, segundo levantamento estatístico.
Mas, para mim, a questão mais importante nem está nos números.

Bontempo precisa continuar jogando
O Santos não pode olhar para Bontempo apenas como um ativo financeiro.
É evidente que um clube com dificuldades econômicas precisa fazer negócios. Não existe ingenuidade nessa discussão. Em algum momento, uma grande proposta por um jogador formado em casa pode ser necessária para equilibrar as contas.
O problema está em vender antes da hora.
Bontempo acabou de completar uma etapa importante de sua formação. Chegou ao clube ainda criança, em 2016, percorreu as categorias de base e alcançou o profissional em 2025. Em abril deste ano, o Santos ampliou seu contrato até dezembro de 2030.
Ou seja: o clube tem justamente aquilo que muitas equipes brasileiras procuram no mercado — um jogador jovem, formado em casa, com margem de crescimento e contrato longo.
Não há motivo para transformar isso imediatamente em uma venda.
O Santos já deveria ter aprendido
O torcedor santista conhece bem essa história.
Nos últimos anos, o clube negociou jovens que ainda estavam em processo de amadurecimento e, em determinadas situações, acabou recebendo menos do que poderia ter conseguido caso tivesse esperado o momento adequado.
Não é uma crítica a uma negociação específica. É uma crítica a um modelo.
Revelar, valorizar, desenvolver e vender pelo valor máximo possível deveria ser o caminho.
Quando um jogador demonstra potencial para atingir um patamar superior, o Santos precisa ter paciência. E paciência, nesse caso, também significa colocá-lo para jogar.
A chegada de Neymar e Gabigol pode ajudar
Curiosamente, a presença de jogadores experientes como Neymar e Gabigol pode ser extremamente positiva para Bontempo.
Em vez de diminuir seu espaço, a convivência com atletas desse nível pode acelerar sua evolução. E foi justamente ao lado dos dois que o meio-campista ganhou ainda mais destaque recentemente.
Isso é importante porque Bontempo não precisa carregar sozinho a responsabilidade de decidir as partidas. Ele pode aprender, errar, evoluir e adquirir maturidade enquanto divide o campo com jogadores experientes.
Esse processo tem valor.
E muito.
Não dá para tratar a base como caixa eletrônico
O Santos tem uma das maiores histórias de formação de jogadores do futebol brasileiro. A Vila Belmiro ficou mundialmente conhecida justamente por revelar talentos.
Por isso, o clube precisa voltar a enxergar suas categorias de base como parte do projeto esportivo, e não apenas como uma fonte eventual de dinheiro.
Se Bontempo continuar evoluindo, naturalmente chegarão propostas.
É aí que estará o verdadeiro teste da diretoria.
Uma oferta interessante não precisa ser automaticamente aceita. O Santos tem contrato com o jogador até 2030 e, portanto, possui margem para esperar.
Se o garoto continuar crescendo, ganhar protagonismo e se consolidar, seu valor tende a ser consequência do futebol apresentado — e não o contrário.
Minha opinião
Gabriel Bontempo não pode ser tratado como uma oportunidade de negócio antes de ser tratado como jogador.
O Santos precisa aproveitar o momento, dar sequência ao garoto e criar condições para que ele evolua dentro da Vila.
Se daqui a um ou dois anos aparecer uma proposta realmente extraordinária, será outra conversa.
Mas vender agora, simplesmente porque existe interesse ou porque o clube precisa de dinheiro, seria repetir um comportamento que o Santos precisa urgentemente deixar para trás.



