
O Santos tem uma oportunidade que não pode ser desperdiçada na próxima sexta-feira. O clássico contra o São Paulo, marcado para as 20h do dia 2 de outubro, no Morumbis, não é apenas mais um jogo do Campeonato Brasileiro. Para o Peixe, é uma partida que pode mudar o tamanho do sonho de disputar novamente a Libertadores.
Na minha opinião, o Santos precisa entrar em campo como se fosse uma decisão. Não porque uma derrota vai acabar com qualquer possibilidade de classificação, mas porque uma vitória fora de casa contra um concorrente direto pode colocar o clube definitivamente na briga pelas primeiras posições.
O Peixe chega ao clássico em um momento completamente diferente de algumas semanas atrás. Depois da vitória por 2 a 1 sobre o Remo, o time chegou aos 38 pontos, assumiu a oitava colocação e ampliou sua sequência de invencibilidade no Brasileirão. São seis jogos sem perder e quatro vitórias consecutivas na competição.
É justamente por isso que o duelo contra o São Paulo ganha ainda mais importância.
Santos não pode deixar essa chance escapar
O campeonato ainda tem muita coisa pela frente, mas a situação atual mostra que o Santos conseguiu transformar uma temporada que parecia caminhar para um objetivo muito mais modesto em uma disputa por algo maior.
O Peixe tem 38 pontos em 27 partidas. O São Paulo aparece logo atrás, com 36 pontos, na 11ª posição. Atlético-MG, em sétimo, tem 40 pontos, enquanto o Bahia, atualmente em sexto, soma 46.
Ou seja: uma vitória no Morumbis levaria o Santos aos 41 pontos e faria o time ultrapassar o Atlético-MG na tabela, pelo menos considerando a classificação antes da rodada.
Pode parecer pouco, mas não é.
O Santos passaria a olhar para cima com ainda mais confiança e colocaria pressão nos clubes que estão à sua frente. Além disso, continuaria tendo um jogo a mais para disputar em relação a alguns concorrentes, algo que pode ser importante na reta final.
O ge já mostrou que, mantendo o aproveitamento apresentado no segundo turno, o Santos poderia chegar próximo dos 61 pontos. Historicamente, essa faixa de pontuação coloca uma equipe em condições de disputar uma das últimas vagas para a Libertadores via Campeonato Brasileiro.
É jogo para jogar com personalidade
O principal ponto, para mim, é que o Santos não pode entrar no Morumbis pensando apenas em se defender.
É claro que jogar fora de casa contra o São Paulo exige inteligência. O adversário possui força como mandante e vem de três vitórias consecutivas em seu estádio no Brasileirão.
Mas o Santos também não pode abandonar as características que fizeram o time crescer nas últimas rodadas.
Cuca encontrou uma equipe mais competitiva. O Peixe passou a vencer partidas difíceis, conseguiu resultados importantes fora de casa e recuperou jogadores que podem fazer diferença na reta final.
Gabigol é o principal exemplo.
O camisa 9 foi decisivo contra o Remo, participando dos dois gols santistas, com uma assistência para Rony e depois marcando o gol da vitória. É exatamente esse tipo de jogador que precisa aparecer em um clássico desse tamanho.
Além dele, jogadores como Rony, Oliva, Arthur e Rollheiser podem ser fundamentais.
O Santos precisa entender o tamanho do jogo
Existe uma diferença entre disputar uma partida importante e disputar uma partida que pode mudar o rumo da temporada.
Esse clássico tem esse peso.
O Santos não pode entrar em campo pensando que um empate será suficiente apenas porque joga fora de casa. É evidente que, dependendo das circunstâncias da partida, um ponto pode ter valor. Mas antes de a bola rolar, a postura precisa ser de quem quer vencer.
O Peixe precisa dar a vida.
Precisa disputar cada bola, competir em cada dividida, pressionar quando tiver oportunidade e aproveitar as chances criadas.
Principalmente porque o São Paulo também está próximo na tabela. Se o Santos vencer, abre cinco pontos de vantagem sobre o rival e, ao mesmo tempo, ganha terreno na disputa pelas posições acima.
Uma vitória no Morumbis não garante Libertadores. Da mesma forma, uma derrota não elimina matematicamente o sonho.
Mas o resultado pode ter um peso enorme na confiança do grupo e na forma como o Santos será visto na reta final.
Desfalques aumentam o desafio
Cuca, entretanto, terá problemas para montar a equipe.
Gabriel Bontempo estará com a Seleção Brasileira durante a Data Fifa e não poderá participar do clássico. O meio-campista recebeu sua primeira convocação para a equipe principal e vem sendo utilizado por Carlo Ancelotti nos treinamentos.
Luan Peres também será ausência, pois recebeu o terceiro cartão amarelo diante do Remo e terá de cumprir suspensão.
Willian Arão, por outro lado, avançou na recuperação e iniciou a transição para o gramado, mas ainda será avaliado antes de uma possível volta.
Esses problemas tornam o trabalho de Cuca ainda mais importante. O treinador terá de encontrar soluções sem abrir mão da identidade que fez o Santos reagir no campeonato.
Uma vitória pode colocar o Santos de vez na briga
O Santos não precisa tratar a Libertadores como obrigação. O próprio Cuca já afirmou que prefere não criar uma pressão exagerada sobre o elenco e que a classificação, caso aconteça, precisa ser consequência do trabalho realizado.
Concordo com essa visão.
Mas isso não significa que o Santos deva abrir mão de sonhar.
Pelo contrário. Se existe uma possibilidade real de buscar uma vaga continental, o time precisa lutar por ela até o último minuto.
E o primeiro grande passo dessa caminhada pode acontecer justamente contra o São Paulo.
Sexta-feira, no Morumbis, não será apenas um clássico. Será uma oportunidade de mostrar que o Santos realmente está preparado para brigar na parte de cima da tabela.
Na minha visão, o Peixe precisa entrar em campo com coragem, intensidade e concentração máxima. Não dá para jogar um clássico desses pensando em “ver no que dá”.
O Santos tem que dar a vida para vencer o São Paulo.
Porque três pontos no Morumbis podem representar muito mais do que uma vitória: podem ser o empurrão que faltava para o Peixe transformar o sonho da Libertadores em um objetivo cada vez mais concreto na reta final do Brasileirão.



