
O futebol brasileiro terá uma mudança importante na montagem dos elencos a partir da próxima temporada. Os clubes das Séries A e B aprovaram uma redução gradual no número de jogadores estrangeiros que podem ser relacionados por partida, e a nova regra também terá impacto no planejamento do Santos para os próximos anos.
Atualmente, os clubes podem colocar até nove estrangeiros na súmula de uma partida. A partir de 2027, esse número cairá para oito e será reduzido gradualmente até chegar a cinco em 2030. A mudança foi aprovada pelos clubes e tem como principal justificativa aumentar o espaço para jogadores brasileiros, especialmente atletas formados nas categorias de base.
O Santos, neste momento, possui seis estrangeiros em seu elenco, número que não ultrapassa o limite previsto para nenhuma das próximas temporadas. Mesmo assim, a alteração pode ser importante para o futuro do clube, principalmente na hora de buscar novos reforços no mercado internacional.
Santos conta com seis estrangeiros
De acordo com o levantamento divulgado pelo ge, o Santos possui atualmente seis jogadores considerados estrangeiros no elenco profissional.
São eles: Gustavo Caballero, do Paraguai; Álvaro Barreal, Gonzalo Escobar e Benjamín Rollheiser, da Argentina; Christian Oliva, do Uruguai; e Miguelito, da Bolívia.
O número chama atenção porque o Peixe está entre os clubes paulistas que mais utilizam jogadores estrangeiros. Em levantamento sobre os grandes de São Paulo, o Santos apresentou a maior média de estrangeiros relacionados por rodada no Brasileirão até aquele momento.
Na prática, porém, a nova regra não cria um problema imediato para o Santos.
Com seis estrangeiros atualmente no elenco, o clube poderia relacionar todos eles em uma partida mesmo quando o limite chegar a seis jogadores, em 2029. O desafio aparece caso o Peixe continue aumentando a quantidade de atletas de outros países nos próximos mercados de transferências.
Por isso, a mudança pode influenciar principalmente as próximas contratações.
Limite começa a cair em 2027
A redução será feita de maneira gradual para evitar um impacto imediato nos clubes que já possuem contratos com jogadores estrangeiros.
O cronograma aprovado prevê oito estrangeiros relacionados por partida em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e, finalmente, cinco em 2030. A regra vale para os atletas que estiverem na súmula, e não impede que um clube tenha mais estrangeiros contratados em seu elenco.
Essa diferença é importante.
Um clube poderá continuar tendo mais jogadores estrangeiros sob contrato, mas precisará escolher quais serão relacionados para cada partida quando ultrapassar o limite estabelecido para aquele ano.
No caso do Santos, isso significa que o clube não precisará necessariamente se desfazer de jogadores estrangeiros. Entretanto, caso a diretoria contrate vários atletas de fora do país nos próximos anos, poderá existir uma disputa interna por vagas na súmula.
Isso também pode fazer com que o departamento de futebol seja mais criterioso na hora de buscar reforços internacionais.
Barreal, Rollheiser e Oliva são peças importantes
Entre os estrangeiros atuais do Santos, alguns já possuem papel relevante na equipe.
Rollheiser vem sendo utilizado por Cuca com frequência e se tornou uma das principais opções ofensivas do time. O argentino também alcançou recentemente uma marca importante pelo clube, entrando no grupo dos maiores artilheiros estrangeiros da história santista.
Oliva também ganhou espaço no meio-campo e vem sendo utilizado em diferentes funções. O uruguaio possui características importantes para dar equilíbrio ao setor e já marcou gols decisivos pelo Peixe nesta temporada.
Já Barreal é uma alternativa para o setor ofensivo e pode atuar em diferentes posições.
Na defesa, Escobar é uma das opções para a lateral esquerda. O argentino também vem tendo participação frequente na equipe.
O boliviano Miguelito, por sua vez, possui uma situação diferente. Revelado pelo Santos, o jogador renovou contrato com o clube até 2029 e segue sendo uma alternativa para o setor ofensivo.
Além deles, Caballero completa atualmente a lista de estrangeiros do elenco santista.
Nova regra pode mudar o mercado do Santos
A principal consequência para o Santos pode aparecer justamente no planejamento de mercado.
O clube terá de analisar com mais cuidado futuras contratações de estrangeiros, principalmente jogadores que ocupem posições semelhantes às de atletas que já estão no elenco.
Se o Peixe chegar a 2028 ou 2029 com sete ou mais estrangeiros, por exemplo, Cuca poderá ser obrigado a deixar algum deles fora da súmula em determinadas partidas.
Isso pode pesar na decisão de contratar ou renovar com determinados jogadores.
Por outro lado, o Santos também possui uma vantagem nesse cenário: a utilização de jogadores formados no próprio clube.
A nova regulamentação aprovada pelos clubes também prevê mudanças relacionadas à inscrição de atletas no Brasileirão. A partir de 2027, os clubes poderão inscrever até 50 jogadores, sendo pelo menos 20 deles com até 23 anos. A ideia é aumentar gradualmente a participação dos jovens brasileiros nos elencos.
Para o Santos, que historicamente possui uma forte formação de jogadores, esse movimento pode abrir ainda mais espaço para os Meninos da Vila.
Santos terá de equilibrar experiência e base
A nova regra não significa que o Santos precisará abandonar o mercado internacional.
Os estrangeiros continuam sendo importantes no futebol brasileiro e o próprio elenco santista mostra isso. Rollheiser, Oliva, Escobar, Barreal, Miguelito e Caballero fazem parte do projeto atual e podem continuar sendo peças importantes.
A questão será encontrar o equilíbrio.
Com o limite chegando a apenas cinco estrangeiros relacionados por partida em 2030, o Santos precisará pensar não apenas na qualidade individual de um possível reforço, mas também no impacto que ele terá na composição do elenco.
A diretoria poderá precisar priorizar posições nas quais realmente exista necessidade e evitar contratações que aumentem excessivamente a quantidade de estrangeiros no grupo.
Ao mesmo tempo, jogadores formados na base poderão ganhar mais espaço.
Mudança não preocupa Santos neste momento
Apesar de a nova regra chamar atenção, o Santos não está atualmente acima do limite previsto para nenhuma das etapas da redução.
O Peixe tem seis estrangeiros no elenco, enquanto o limite será de oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030.
Portanto, não existe necessidade imediata de o clube fazer mudanças por causa da nova regulamentação.
O impacto maior será no planejamento dos próximos anos.
Se o Santos quiser continuar apostando em jogadores estrangeiros, terá de levar em consideração que as vagas disponíveis na súmula serão cada vez mais disputadas. Por outro lado, o clube poderá aproveitar a mudança para dar ainda mais espaço aos jovens formados em suas categorias de base.
Hoje, a regra não representa um problema para o Santos. Mas ela certamente será um fator importante nas próximas janelas de transferências. Com seis estrangeiros no elenco, o Peixe já está perto do limite que será estabelecido em 2029 e precisará pensar com cuidado antes de aumentar esse número.




